Shimandur – A Cidade da Chuva

Shimandur – A cidade da chuva é como todas as metrópoles que maltrataram e maltratam seus cursos d’água e sofrem o devido castigo por isso; é a cidade amaldiçoada pela chuva, em que a água, fonte da vida, desperta poderes mágicos escondidos no solo para trazer caos e morte; é uma novela de revolta juvenil, a história de um grupo de adolescentes que busca libertar sua amada e temida metrópole de uma maldição centenária e assim viver sem medo.

O cenário é uma forja – elementos provindos de muitas leituras de muitos autores, fundidos a informações sobre a São Paulo dos séculos XVI à metade do século XIX e outras antigas cidades brasileiras, tudo unido e distorcido de modo pensado para gerar um mundo feérico coeso, mas aberto às inspirações mais caóticas.

Alex, um ativo e inconformado rapaz da periferia da cidade dado à rebeldia, é o protagonista maior. Ele e seus amigos Marcus Andeara (um adolescente sempre fiel a Alex, mas um tanto temeroso e inseguro do que deve fazer) e Juara (um índio forte, meio grosseiro, mas atento e sagaz, mal adaptado à vida numa metrópole racista e esnobe, oriundo das distantes montanhas a leste da cidade, no extremo do continente, o Valesh) numa noite de distrações e beberagens topam com um excêntrico e falante músico, um homem gorducho de meia idade que se apresenta como Charles Olivieri, autoproclamado sabedor de segredos da maldição da chuva, que ao tocar o solo da cidade carregado de manah (“o sangue, a essência do universo”) convoca milenares torres gigantes das profundezas da terra para rasgar as ruas, destruir e esmagar, transforma cadáveres e ossadas de animais em monstros sanguinários.

O estranho e simpático clarinetista afirma saber como alcançar a Torre Máxima, de onde parte a maldição da chuva, mas, para isso, necessita do auxílio de um bom mago, pois estes pululam em Shimandur e são seus habitantes mais poderosos, eles detêm o poder e conhecimento para afastar a maldição e assim tornar a vida possível aos que podem e merecem. Surge, então, a última protagonista e mais importante personagem feminina, Nara Andeara, iniciada da ordem dos magos, uma belíssima garota de dezenove anos, cheia de vida, impertinente, manipuladora, prima de Marcus (seu amante eventual) e que guiará o grupo de heróis, ou insanos, ao centro da Floresta dos Pesadelos Encarnados.

AUTOR

Caio Alexandre Bezarias está envolvido com a literatura fantástica desde o fim da década de 80; suas primeiras incursões ocorreram em fanzines de cultura pop, para os quais escreveu artigos. Mais tarde, publicou resenhas e matérias em sites e revistas profissionais; traduziu hqs para a editora Metal Pesado, na segunda metade da década de 90; publicou contos de fantasia e ficção científica, entre outros, na revista eletrônica Juvenatrix e um número da edição nacional da série de space opera Perry Rhodan. Professor de língua portuguesa e Mestre em Letras pela USP, é autor de A Totalidade pelo Horror: O Mito na Obra de Howard Phillips Lovecraft (editora Annablume, 2010), primeiro estudo sobre o criador do ciclo de Cthulhu escrito e publicado em português, e mantém um blog de contos fantásticos situados em São Paulo (https://carpenoctemsp.wordpress.com), onde nasceu e vive.